Bíblia em um ano
Marcha 23


Levítico 26:1-46
1. «Não façais para vós ídolos, nem levanteis entre vós imagens de madeira, estelas ou pedras esculpidas. Não as coloqueis na vossa terra, para vos prostrardes diante delas, porque Eu sou o Senhor, vosso Deus.
2. Guardai os meus sábados, e reverenciai o meu santuário. Eu sou o Senhor.
3. Se cumprirdes os meus decretos e guardardes os meus mandamentos, e os puserdes em prática,
4. dar-vos-ei as chuvas na estação própria; a terra dará os seus produtos e as árvores dos campos darão os seus frutos.
5. A debulha do trigo prolongar-se-á até à vindima, e a vindima, até ao tempo das sementeiras; comereis pão com abundância e habitareis em segurança na vossa terra.
6. Farei reinar a paz na vossa terra e ninguém perturbará o vosso sono; farei desaparecer as feras, e a espada não passará pela vossa terra.
7. Perseguireis os vossos inimigos, eles cairão sob a vossa espada.
8. Cinco dos vossos perseguirão um cento, e cem dos vossos perseguirão dez mil; e os vossos inimigos cairão sob a vossa espada.
9. Olharei por vós, far-vos-ei crescer e multiplicar, e manterei a minha aliança convosco.
10. Comereis da colheita armazenada e tereis que a retirar para dar lugar à nova.
11. Estabelecerei a minha morada no meio de vós, e não me hei-de aborrecer convosco.
12. Caminharei no meio de vós, serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo.
13. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos fez sair da terra do Egipto, para que não continuásseis a ser escravos; quebrei as cadeias do vosso jugo e fiz que andásseis de cabeça erguida.»
14. «Mas, se vós não me escutardes e deixardes de cumprir todos estes mandamentos,
15. se desprezardes os meus decretos, se o vosso espírito rejeitar os meus preceitos, chegando ao ponto de não cumprirdes mais os meus mandamentos e de violar a minha aliança,
16. então eis aqui o que vos farei: enviarei contra vós o terror, a fraqueza e a febre, que enfraquecem os olhos e consomem a vida; semeareis em vão a vossa semente, e os vossos inimigos alimentar-se-ão dos seus frutos.
17. Voltarei o meu rosto contra vós e sereis derrotados pelos vossos inimigos; os que vos odeiam dominar-vos-ão, e fugireis sem que ninguém vos persiga.
18. E, se apesar disto não me escutardes, vou continuar a castigar-vos sete vezes mais pelos vossos pecados.
19. Quebrantarei o vosso orgulhoso poder, tornarei duro o vosso céu como o ferro e a vossa terra como o bronze.
20. As vossas forças se consumirão em vão, a vossa terra não dará os seus produtos e as árvores não darão os seus frutos.
21. Se procederdes hostilmente para comigo e, se não quiserdes escutar-me, castigar-vos-ei sete vezes mais, conforme os vossos pecados.
22. Soltarei os animais ferozes sobre vós, e eles privar-vos-ão dos vossos filhos, exterminarão o vosso gado, dizimar-vos-ão e os vossos caminhos ficarão desertos.
23. Se mesmo assim não aceitais a minha correcção, mas pelo contrário continuardes a hostilizar-me,
24. também Eu procederei hostilmente contra vós e punir-vos-ei sete vezes mais pelos vossos pecados.
25. Farei vir contra vós a espada vingadora dos direitos da minha aliança, e refugiar-vos-eis nas vossas cidades. Depois lançarei a peste no meio de vós e ficareis à mercê do inimigo.
26. E, além disso, privar-vos-ei do pão, de modo que dez mulheres cozerão o vosso pão num só forno e ser-vos-á distribuído por peso; comê-lo-eis, mas não ficareis saciados.
27. Se, apesar destas coisas, não me escutais e vos portardes hostilmente para comigo,
28. também Eu me portarei hostilmente para convosco cheio de furor e castigar-vos-ei sete vezes mais pelos vossos pecados.
29. Devorareis a carne dos vossos filhos e a carne das vossas filhas.
30. Destruirei os vossos lugares altos, derrubarei os vossos altares portáteis e amontoarei os vossos cadáveres sobre os cadáveres dos vossos ídolos; e o meu espírito repelir-vos-á.
31. Transformarei as vossas cidades em ruínas, devastarei os vossos santuários e não terei de respirar mais o odor dos vossos sacrifícios.
32. Depois, Eu mesmo devastarei esta terra, de tal modo que os vossos inimigos, ao ocuparem-na, ficarão estupefactos.
33. Dispersar-vos-ei entre as nações, perseguir-vos-ei à espada; a vossa terra ficará desolada e as vossas cidades ficarão em ruínas.
34. Então, a terra gozará do seu descanso sabático, durante o tempo da sua desolação; e vós estareis na terra dos vossos inimigos. É então que a terra poderá gozar do descanso dos seus anos sabáticos.
35. Descansará durante todo o tempo em que estiver desolada pelo descanso que não teve nos vossos anos sabáticos, quando a habitáveis.
36. Quanto aos vossos sobreviventes, dar-lhes-ei tanta angústia na terra dos seus inimigos, que o simples ruído de uma folha ao cair os porá em fuga, pensando que alguém os persegue à espada. E cairão, sem ninguém os perseguir.
37. Tropeçarão e cairão uns sobre os outros, como quando se foge da espada, mesmo sem ninguém os perseguir. Não podereis resistir aos vossos inimigos;
38. perecereis entre as nações e a terra dos vossos inimigos devorar-vos-á.
39. Os que sobreviverem, dentre vós, consumir-se-ão por causa da sua iniquidade, no país dos vossos inimigos, e também se consumirão por causa das iniquidades dos seus pais.
40. Depois, confessarão a sua iniquidade e a dos seus pais, as transgressões que cometeram contra mim e a sua hostilidade para comigo.
41. Por isso, Eu também os tratarei hostilmente, deportando-os para o país dos seus inimigos; então, o seu coração infiel se humilhará e expiarão a sua iniquidade.»
42. «Recordar-me-ei, então, da minha aliança com Jacob; recordar-me-ei da minha aliança com Isaac, da minha aliança com Abraão, e também me recordarei deste país.
43. Então, a terra abandonada e desolada pelos habitantes recuperará os seus sábados e eles próprios repararão a sua iniquidade, porque desprezaram os meus preceitos e rejeitaram os meus decretos.
44. Mesmo assim, quando estiverem no país dos seus inimigos, não os abandonarei nem rejeitarei ao ponto de os aniquilar e de invalidar a minha aliança com eles, porque Eu sou o Senhor, seu Deus.
45. Recordar-me-ei, a seu favor, da aliança feita com os seus antepassados, que fiz sair da terra do Egipto, à vista das nações, para ser o seu Deus, Eu, o Senhor.»
46. Tais são os decretos, os preceitos e as leis que o Senhor estabeleceu entre Ele e os filhos de Israel, por intermédio de Moisés, no monte Sinai.

Levítico 27:1-34
1. O Senhor falou a Moisés, nestes termos:
2. «Fala aos filhos de Israel, e diz-lhes: ‘Se alguém prometer ao Senhor, por voto, o valor equivalente a uma pessoa,
3. o seu valor estimativo será o seguinte: por um homem de vinte a sessenta anos de idade, o valor será de cinquenta siclos de prata, conforme o peso do santuário.
4. E tratando-se de uma mulher, o valor será de trinta siclos.
5. A partir de cinco até vinte anos, será de vinte siclos para o rapaz, e de dez siclos para uma menina.
6. A partir da idade de um mês até à idade de cinco anos, o valor será de cinco siclos de prata para um rapaz e de três siclos de prata por uma menina.
7. De sessenta anos em diante, será de quinze siclos por um homem e de dez siclos por uma mulher.
8. Se o que fez o voto é tão pobre que não pode pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este calculará a avaliação; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com as posses daquele que fez voto.
9. Se for um animal, com o qual se possa fazer uma oferta ao Senhor, todo o animal oferecido ao Senhor tornar-se-á uma coisa sagrada.
10. Não se pode trocar, nem substituir, um bom por um defeituoso, ou um defeituoso por um melhor; se, apesar disso, tiverem substituído o animal por um outro, tanto o animal substituído como o substituto serão igualmente coisa sagrada.
11. Se se tratar de um animal impuro, que não é apto para ser oferecido ao Senhor, apresentar-se-á o animal ao sacerdote;
12. este o avaliará segundo as suas boas ou más qualidades; e a avaliação do sacerdote será respeitada.
13. Se a pessoa, em seguida, o quiser resgatar, acrescentará um quinto ao valor da avaliação.
14. Se um homem consagrar a sua casa ao Senhor, como coisa sagrada, o sacerdote procederá à sua avaliação, segundo o seu alto ou baixo preço; o seu preço será o da apreciação feita pelo sacerdote.
15. Mas, se aquele que consagrou quiser resgatar a sua casa, acrescentará um quinto ao preço da avaliação, e ela pertencer-lhe-á.
16. Se um homem consagrar ao Senhor um campo da sua propriedade, proceder-se-á à avaliação, segundo a semente nele semeada: um hómer de cevada valerá cinquenta siclos de prata.
17. Se consagrou um campo, durante o ano do Jubileu, é pelo valor desse ano que ela será avaliada;
18. se a consagrou, depois do ano do Jubileu, o sacerdote calculará o preço, de acordo com os anos que faltam até ao Jubileu, e fará uma redução sobre o valor da avaliação.
19. Se aquele que consagrou a terra quiser resgatá-la, acrescentará um quinto ao preço da avaliação, e ela pertencer-lhe-á.
20. Mas, se não resgatar o campo ou se este campo tiver sido vendido a qualquer outro, não poderá mais ser resgatado.
21. Este campo, no fim do Jubileu, será consagrado ao Senhor como campo interdito e tornar-se-á propriedade do sacerdote.
22. Se aquilo que consagrou ao Senhor for um campo adquirido por ele, que não faça parte do seu património,
23. o sacerdote o avaliará de acordo com os anos que faltem até ao Jubileu, e esse valor será pago nesse mesmo dia, como coisa consagrada ao Senhor.
24. No ano do Jubileu, a terra voltará à posse daquele a quem tinha sido comprada e que a possuía como património.
25. E todas as avaliações serão feitas segundo o siclo do santuário; o siclo corresponde a vinte gueras.
26. Não se poderá consagrar ao Senhor o primogénito de um animal, o qual, ao nascer, pertence já ao Senhor; quer seja boi ou ovelha é do Senhor.
27. Se se tratar de um animal impuro, poder-se-á resgatá-lo pelo preço da avaliação, acrescentando-lhe um quinto; se não for resgatado, será vendido a outro pelo preço da avaliação.
28. Qualquer coisa que alguém consagrar em honra do Senhor por voto, de entre as suas propriedades, quer seja uma pessoa, animal ou um campo do seu património, não poderá ser vendida ou resgatada; tudo o que assim for consagrado converte-se numa coisa sagrada para o Senhor.
29. Mesmo que se trate de um ser humano, este voto é irrevogável: ele terá de morrer.’»
30. «Todo o dízimo da terra, quer seja de produtos da terra ou de frutos das árvores, pertence ao Senhor, é consagrado ao Senhor.
31. E se alguém quiser resgatar uma parte do seu dízimo, juntar-lhe-á um quinto.
32. Todo o dízimo, seja ele de bois, de ovelhas e de cabras, isto é, o décimo de todos os animais que passarem debaixo da vara do pastor será consagrado ao Senhor.
33. Não se examinará se são bons ou defeituosos e não se substituirão; se, contudo, tiverem sido substituídos, tanto ele como o seu substituto ficam igualmente consagrados; não se poderão resgatar.»
34. Estes são os mandamentos que o Senhor deu a Moisés para os filhos de Israel, no monte Sinai.

Salmos 29:1-6
1. Salmo de David.* Filhos de Deus, prestai ao Senhor, prestai ao Senhor glória e honra.
2. Prestai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o Senhor no seu átrio sagrado.
3. A voz do Senhor ressoa sobre as águas, o Deus glorioso faz ecoar o seu trovão, o Senhor está sobre a vastidão das águas.
4. A voz do Senhor é poderosa, a voz do Senhor é cheia de majestade.
5. A voz do Senhor quebra os cedros, o Senhor derruba os cedros do Líbano!
6. Ele faz saltar o Líbano como um novilho, e o Sirion, como um bezerro.

Provérbios 10:22-25
22. A bênção do Senhor é que enriquece, o nosso esforço nada lhe acrescenta.
23. É um divertimento para o ímpio praticar o mal e, para o inteligente, cultivar a sabedoria.
24. O que o ímpio teme, cairá sobre ele. Ao justo ser-lhe-á concedido o que deseja.
25. Assim como passa a tormenta, assim desaparecerá o ímpio; mas o justo está firme para sempre.

Marcos 7:1-13
1. Os fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de Jesus,
2. e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar.
3. É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos;
4. ao voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de cobre.
5. Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as mãos impuras?»
6. Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7. Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos.
8. Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.»
9. E acrescentou: «Anulais a vosso bel-prazer o mandamento de Deus, para observardes a vossa tradição.
10. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido de morte.
11. Vós, porém, dizeis: “Se alguém afirmar ao pai ou à mãe: ‘Declaro Qorban' – isto é, oferta ao Senhor – aquilo que poderias receber de mim...”,
12. nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe,
13. anulando a palavra de Deus com a tradição que tendes transmitido. E fazeis muitas outras coisas do mesmo género.»